Tamanho da Fonte Jornal da Comunidade 06/07/2009 às 09:33
O mercado de imóveis de luxo no DF passou longe da temida “crise mundial”. Ademais, a escassez de terrenos e a alta demanda por esse tipo de imóvel oferecem excelentes oportunidades de vendas às incorporadoras. Estas, por sua vez, lançam empreendimentos cada vez mais requintados e de padrão elevado para um público muito exigente.
Em 2008 o mundo foi abalado pela crise financeira global, que afetou inicialmente os Estados Unidos e golpeou o setor imobiliário norte-americano. Apesar de a economia brasileira ter sido atingida por esse impacto, a venda de imóveis no DF parece ter passado incólume à crise.
“Brasília tem um mercado diferente e sentiu menos a crise, até porque é composto por servidores públicos, que têm uma vida mais estável”, analisa Leonel Alves, diretor comercial da Lopes Royal.
Um dos sinais positivos foi a percepção do crescimento nas vendas de imóveis este ano. “Apesar de ter sentido pouco os impactos da crise, esse mercado de luxo já começa a sentir sinais de melhora. Exemplo disso foi o resultado de vendas da Beiramar no mês de abril – crescimento de 30% na venda de apartamentos de quatro quartos, em comparação com o mês anterior”, ressalta Pedro Fernandes, diretor comercial da Beiramar Imóveis.
Luxo, requinte e sofisticação
Os imóveis de luxo têm características próprias. Além da localização, os materiais de acabamento, os itens tecnológicos e de lazer empregados no imóvel e a sofisticação dos ambientes e do condomínio são determinantes para reconhecê-los como luxuosos.
“Um exemplo de diferencial é a fechadura biométrica para acesso à entrada social via impressão digital, além dos elevadores sociais com código específico para controle de acessos. A alta tecnologia está muito presente e permite ao morador monitorar e controlar os itens de sua residência por meio de um computador de mão. Outro fator importante é o acabamento usado na construção. Materiais especiais como granitos e mármores importados dão requinte aos imóveis de luxo”, cita Fernandes.
O preço e o tamanho do empreendimento também são diferenciados. “Em geral, os apartamentos de alto-padrão são duplex ou de cobertura privativa e têm área acima de 250 m2. Os preços de venda ultrapassam R$ 1,5 milhão. As casas normalmente superam os 700 m2 de área e, conforme a localização, os valores de venda vão muito além dos R$ 3 milhões”, contabiliza Esmeraldo Dall’Oca, diretor da Dall’Oca Imóveis.
Entretanto, existem empreendimentos que são considerados de luxo, mas não chegam a ter 250 m2 de área. “O imóvel de luxo também pode ser um residencial com serviços, flat, apart-hotel e, até mesmo, um prédio comercial, dependendo do acabamento e da tecnologia aplicada”, cita Alves. Fernandes acrescenta as quitinetes, apartamentos de dois a quatro quartos, duplex e coberturas. Quanto à localização, a maioria das casas com esse conceito está presente nos lagos Sul e Norte. Já os apartamentos podem ser encontrados na Asa Norte, Sudoeste e, recentemente, em Águas Claras.
Outra vantagem importante é a valorização certa dos imóveis. “O mercado está crescendo cada dia mais. Percebemos um aumento real do imóvel de, aproximadamente, 30% ao ano nos últimos anos. O grande diferencial de se comprar imóvel é a valorização e temos uma perspectiva de valorização muito grande. O mercado está aquecido e não vemos perspectiva de retração”, ressalta Alves.
Compradores têm perfil exigente
O perfil das pessoas que adquirem um imóvel de luxo é bem definido. “Os compradores normalmente são empresários, profissionais do setor público ou investidores, bastante exigentes quanto à localização, diferenciais em acabamento e itens de segurança. Há também a presença de casais que já criaram os filhos e decidem se mudar de uma casa no Lago Sul ou Norte para a segurança de um apartamento espaçoso e de alto luxo”, afirma Fernando Queiroz, presidente da Via Engenharia.
Leonel Alves ressalta que esses compradores “pesquisam mais e
compram sem muita dificuldade por terem um conhecimento um pouco melhor
sobre o setor”. Dessa forma, conseguem boas condições de pagamento e
mais descontos.
A venda também tem suas especificidades. “Normalmente é uma
venda um pouco mais elaborada pois, eventualmente, exige a
comercialização de outro imóvel no negócio. As entradas são maiores e
os prazos de pagamento reduzidos. Muitos preferem descontos atrativos
para pagamentos à vista”, explica Queiroz. “Em face de o valor ser
elevado, normalmente há um prazo maior para a conclusão do negócio
deste tipo de imóvel. Isso se justifica pela redução do número de
compradores. São as pessoas que se encontram na faixa de renda mais
elevada”, acrescenta Dall’Oca.
Mas, apesar de tantas exigências, o público-alvo dos imóveis de
luxo é muito visado pelas empresas do mercado imobiliário. “O poder
aquisitivo desses consumidores é bastante alto. É um mercado com uma
demanda cativa, menos vulnerável aos impactos na economia e que percebe
as vantagens de investir em imóveis”, diz Queiroz. “Também são
compradores que, na maioria das vezes, independem de financiamento
bancário, o que agiliza a conclusão do negócio”, acrescenta Dall’Oca.
A facilidade de conseguir crédito para o financiamento desses
empreendimentos e a capacidade dessa clientela de assumir prestações
altas são outros pontos positivos. “Os bancos estão eliminando as
dificuldades de financiamento. Antes, estes impunham limites de valor
de crédito. Agora, com as mudanças, criou-se um alvoroço no mercado e
os clientes venderam seus imóveis menores para comprar um maior”,
finaliza Alves.
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