Brasília


 Enviar matéria por e-mail

Eleições 2010

Tamanho da Fonte     Fernando Brito  Redação Mais Comunidade

Por que se candidatar novamente ao Senado, quando seu nome também era bastante cotado de novo ao GDF?

Nos últimos anos, levo adiante uma luta nacional muito grande, por uma revolução na educação. Essa luta só se faz nacionalmente. Localmente, você dá bons exemplos, como eu dei, quando governador. Se eu voltar ao GDF, eu pararia essa luta nacional. Por incompetência, ainda não consegui criar um grupo que me substitua nessa luta por uma revolução educacional. Daqui uns cinco anos, certamente eu terei esses 15 ou 20 jovens que me substituam plenamente. Então, voltar ao GDF agora seria ruim para Brasília, que não terá saída sem uma revolução nacional.

O senhor tem uma bandeira nacional, mas sua eleição é definida localmente. O senhor não teme que o público eleitor do DF não o identifique mais como um representante da região?

Temo perfeitamente. Mas quero testar o que o povo pensa. Brasília não é uma ilha, mas sim parte de um país. Brasília não terá futuro sem uma revolução nacional pela educação. Sem educação de qualidade, não teremos empregos e os desempregados virão para Brasília, a capital de todos. Sem essa revolução, o Brasil não se transformará em um país exportador de bens com alto conteúdo de conhecimento. Continuará sendo exportador de laranja, soja e ferro, mas sem emprego para os mais jovens, inclusive os brasilienses. Espero que o povo entenda que o senador é da República e não uma espécie de vereador da cidade. Nesse sentido, é importante para Brasília eleger um senador que se identifica com o país inteiro e que também é identificado pelo brasileiro, o que acontece desde a minha candidatura a presidente. Por isso é mais fácil eu ser substituído no posto de governador do DF do que na cadeira de senador da educação.

O deputado distrital Antônio Reguffe é a  opção do PDT para o GDF. Mas ele está apenas no primeiro mandato. Não seria um nome pouco experiente para a função?

Não. Eu acho que o Reguffe tem duas características melhores que as minhas para chegar ao GDF. Primeiro, a bandeira dele pela moralidade. O povo está mais preocupado com a corrupção do que com a educação. Então, ele já está mais sintonizado com o eleitor. Em segundo lugar, um ex-governador sempre tem resistências, uma certa dose de rejeição. Reguffe não tem. Ele é novo e essa é uma grande virtude dele. Foi o meu caso em 1994, quando nunca fora sequer candidato a coisa alguma. A novidade me ajudou. A única diferença era que eu tinha um pouco mais idade do que ele: 50 anos. Reguffe tem 36.

Mas essa candidatura ainda não é definitiva. Depende ainda de uma ratificação e da costura de aliança entre PDT, PSB, PCdoB e PSOL.

Essa candidatura está fechada pela executiva local do PDT. No dia 6 (de junho), fecharemos pelo diretório regional. Depois, dentro da lei e na medida do possível, iremos para as ruas e a ideia é ir até o fim. O que não impede que no processo ocorra alguma mudança, desde que isso passe especialmente pelo Reguffe. Em momento algum o PDT vai puxar o tapete dele. Mas a posição do Reguffe tem sido bastante clara. Ele não vai retirar a candidatura por decisão pessoal. Ele não está usando isso para se promover e tentar eleição em outro cargo. Mas se o partido quiser, precisar ou achar conveniente, ele aceitaria acatar a decisão do PDT. Então, não descartamos uma aliança com PSB, PCdoB ou outra mudança em que a chapa para governador seja composta por nome de  partido diferente.

Recentemente, em solenidade de inauguração de uma escola, o senhor aproveitou o palanque do GDF, diante dos olhos do governador Arruda, para anunciar a candidatura do deputado Reguffe. Aquilo foi uma provocação?

Aproveitei a situação, mas o governador sabia de tudo. Ele sabia que eu iria com o Reguffe, na condição de candidato a governador. Isso se chama discordância com lealdade. Mas o que eu quis dizer ali é que se Reguffe for eleito, aquele projeto vai continuar. Até porque é um projeto realizado por secretário integrante do PDT, Marcelo Aguiar (secretário de Educação Integral do DF). E é um projeto fruto de ideia que eu dei ao governador Arruda, no dia 4 ou 5 de janeiro de 2006. Apenas lamento que ele tenha demorado tanto para captar a importância do projeto.

Até quando o PDT estará no governo Arruda?

No dia 6 de junho, quando formalizarmos a candidatura do Reguffe, teremos de decidir essa questão. O Marcelo Aguiar, o Israel Batista (secretário-adjunto de Trabalho) e o Adilson Barbosa, que tem uma gerência da Escola Técnica, terão de se decidir. Ele poderão deixar o governo, ficar – o que seria uma posição bastante ambígua – ou se licenciar do partido.


Classificação Atual       ( 5 ) Dê a sua classificação:      

Comentários

  Deixe seu comentário