As concessionárias de energia têm 30 dias para esclarecer as quedas no fornecimento de energia elétrica
ocorridas durante as fortes chuvas que atingem o estado desde
dezembro. Com o temporal da última quinta-feira (4) 16
bairros da capital ficaram sem luz. Problemas semelhantes também ocorreram em outras
cidades do estado, como São Roque, Atibaia e Mairinque.
O prazo foi definido em
uma reunião, na tarde de hoje (8), com a participação do
secretário de Justiça e Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, da
secretária de Saneamento e Energia Dilma Pena, do diretor-executivo
da Fundação Procon-SP, Roberto Pfeiffer, e de representantes das
concessionárias de energia no estado.
Os maiores transtornos
ocorreram, segundo Marrey, na capital, sob responsabilidade da AES
Eletropaulo.?O fato é que depois de uma grande chuva nos tivemos
áreas de São Paulo que ficaram mais de 24h sem energia elétrica.
Nós entendemos que a falta de energia elétrica por esse período
prolongado é inadmissível?, disse após o encontro.
O pedido de explicações
é o início de um processo que, de acordo com o diretor do Procon,
Roberto Pfeiffer, pode resultar em multa de até R$ 3 milhões caso
fique comprovado que as empresas não tomaram as medidas necessárias
para realizar a religação da energia em um período mais curto.
Segundo o secretário
de Justiça, Luiz Antonio Marrey, as concessionárias alegaram que as
longas interrupções no fornecimento ocorreram porque havia
dificuldade das equipes em chegar aos locais onde as linhas de
transmissões foram danificadas. Ainda de acordo com Marrey, as
empresas disseram que aumentaram o número de equipes de manutenção.
As explicações
prévias apresentadas pelas concessionárias não convenceram o
secretário.?Nas narrativas que nós tivemos, muitos bairros que
ficaram sem energia são bairros totalmente centrais da cidade. Não
é que o bairro estivesse debaixo de 2 metros de água que as equipes
tivessem dificuldade de chegar. Assim a minha primeira opinião, sem
receber ainda as informações detalhadas, não me convencem como
justificativas para 24h de interrupção?, disse.
Sobre os investimentos
de prevenção e melhoria da rede de abastecimento, o secretario se
limitou a dizer que vai aguardar as informações das empresas para
fazer uma avaliação.
O fato da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não ter se
manifestado sobre os problemas no fornecimento de energia em São
Paulo também foi criticado por Marrey. ?Nós estamos fazendo aqui
da ótica dos consumidores e dos usuários aquilo que o estado tem
poder e tem dever de fazer. Mas existe uma autoridade federal para
tratar desse assunto e nós gostaríamos que eles se somassem a essa
preocupação?. Afirmou.
Os representantes
das concessionárias de energia deixaram a reunião sem falar à
imprensa.
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