Operadoras se comprometem a fornecer dados sobre pedófilos para inquéritos policiais
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Gilberto Costa Agencia Brasil 17/09/2009 às 19:48
A operadora de telefonia Vivo assinou hoje (17) na
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que
investiga crimes de pedofilia, um termo de mútua cooperação
no qual se compromete a quebrar o sigilo de usuários que
utilizem a internet para assediar crianças e adolescentes,
transmitir e acessar imagens de pornografia infantil e de abuso
sexual. O documento é assinado em conjunto com o Ministério
Público e com a Polícia Federal.
A Vivo é
a terceira operadora a firmar o termo de fornecimento obrigatório
de informações, como o IP (protocolo da internet, que
identifica o computador em uso). Em dezembro do ano passado, a TIM e
a Oi se comprometeram a colaborar.
Na
avaliação do diretor de Planejamento Executivo da Oi,
João de Deus Pinheiro de Macedo, o pequeno número de
operadoras que assinaram o documento até agora, incluindo os provedores de internet, se deve às
dificuldades com a tecnologia. ?Cada operadora está em um
estágio tecnológico diferente da outra. As redes e
os sistemas computacionais não são exatamente iguais?,
explica.
Segundo o
delegado da Divisão de Direitos
Humanos da Polícia Federal Stênio Santos Sousa, as operadoras e os provedores não colaboram porque não são obrigados. ?Falta uma lei obrigando um período mínimo
de preservação do registro do usuário que se
conecta à internet.? De acordo com o delegado, as empresas também
temiam ser processadas pelo fornecimento das informações.
Para o diretora da Oi, esse temor está sendo superado com outro
entendimento da lei. ?A sustentação jurídica
era de que a Constituição assegura o sigilo das
comunicações. No entanto, a própria Constituição
e a Lei Geral das Comunicações autorizam, mediante
ordem judicial, a quebra do sigilo da comunicação
telefônica ou telemática [transmissão de dados]?.
Segundo a delegada da Divisão
de Direitos Humanos da PF
Juliana Carleial Mendes Cavaleiro, além da inexistência de legislação não há fiscalização. ?O
Comitê Gestor da Internet do Brasil não tem poder de
decisivo sobre as provedoras de internet e não existe
fiscalização da Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações]?.
Na
avaliação dos dois delegados, a falta de lei e controle
desobrigou as operadoras e os provedores a manterem os dados guardados. ?A confiabilidade do dado
guardado pela empresa nem para eles era confiável. Eles diziam
que não tinham certeza e não tem como investigar. As
empresas de telefonia não se julgavam obrigadas a guardar a
informação e temiam fornecer um dado que era
incorreto?, diz Juliana.
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